Perfil

//mais sobre mim

Arquivo

//pesquisar
 
//Maio 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


//posts recentes
//comentários recentes
mais um teste para a conta
teste
//arquivos
2008:

 J F M A M J J A S O N D


//subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro

Posts

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Imagem retirada da Internet

 

 

 

Clube Winx...

 

- Não, não podemos. Estamos à espera das ordens dos médicos. Eles é que sabem.

- Ai sim?

- Sim, porque a equipa muda agora às oito, não é?

- Não sei

- Eu não estava a perguntar, estava a dizer.

 

 

 

- Agora temos que esperar que os médicos nos avisem.

- Mas porquê?

- Porque as fichas não podem passar duma equipa para a outra, não acha?

 

E agora, isto será uma pergunta? Já sabemos que as frases que terminam em "não é?" são afirmações, mas nada sabemos sobre as que terminam em "não acha?". Tenho mesmo que comprar um dicionário prático Português-SNSesês, para melhor compreender os meus diálogos com este tipo de guichets. Pelo sim, pelo não, arrisquei a resposta:

 

 

- Não pode ser! É o sistema!

 

  

 

 

  

 

 

  

 

  

 

 

 

 

 

 

  

 

 

  

 

 

  

 

 

  

 

 

Lá chegados, foi rápido concluir que a minha sabedoria possivelmente derivou de algum processo de epidemia, já que, não faltavam lá "clientes". Todos terão pensado o mesmo que eu e, assim, a hora morta transformou-se na hora de ponta. Ainda bem que trouxemos dois excelentes números, duma não menos excelente revista, a do

Bom, mas tiremos lá a senha para ver como as coisas andam. Saiu-me o 33 e o contador está no 20. Podia ser pior, aguardemos. O relógio avança e nada se passa. As pessoas lêem os cartazes, andam de cá para lá, olham para o chão, olham para o tecto, conversam, ralham com os filhos e a funcionária do centro de saúde respira e suspira, alternadamente. Mas não faz mais nada. Estranhei. Resolvo indagar o que se passa:

- Boa noite, não está a fazer inscrições?

Pronto, já aprendi alguma coisa. Sempre pensei que quando as frases terminavam em "não é?", estávamos na presença duma pergunta, mas, ao que parece, no dialecto do SNS é possível que seja uma afirmação categórica, não havendo portanto lugar a contraditório. Mas não nos percamos em deambulações linguísticas, que a conversa continuou:

- Não estou a ver qual é o problema das fichas passarem...

Ah, o sistema! Essa coisa nebulosa de que tanto se fala no futebol, parece que já se disseminou para outros ramos de actividade. E o que diz o sistema é uma escritura, nada de aplicar o espírito crítico ou esboçar dúvidas sequer! Nem pensar nisso, se o sistema diz que é para esperar, é isso que se deve fazer. E nós assim fizemos, esperamos. Sentados, claro.

Escolhemos um lugar perto dum casaco de esquimó que tiritava e gemia como um cachorrinho, que tinha como companhia alguém que tinha ido comprar umas madalenas. São boas, não são? Não gosto, mas estas são especiais porque têm mel, sabem-me mal, é da tua boca, ai que me dói tanto, tens que lutar contra isso, não consigo, tens que ser superior à dor, não te podes deixar dominar por ela,.... A lição de filosofia género Lux Woman/Cosmopolitan continuou, mas eu dessintonizei dessa estação e dediquei-me à leitura do combate do Clube Winx contra as forças do mal, que, por acaso, estava bastante renhido.

Finalmente começam a consultas, anunciadas pelo sistema sonoro que parecia estar a transmitir a partir do fundo do oceano. As pessoas vão milagrosamente adivinhando quem foi chamado e lá vão entrando. Até que, dum momento para o outro, o casaco de esquimó e a amiga levantam-se e correm para a porta, que eram elas, que as tinham chamado. Eu ainda coloquei a hipótese de terem usado ultra-sons para a chamada, ou podia ter sido mesmo surdez completa da minha parte.

Por fim, as palavras mágicas surgiram "Beatriz...., sala 3". Passamos a porta e, no corredor de acesso aos consultórios, a dupla Casaco de Esquimó & Ca. carpiam as suas lágrimas: que tinham mesmo ouvido, que as tinham chamado! E, assim, estavam elas, naquele limbo, no purgatório do Centro de Saúde, a meio metro do Céu, mas mais perto ainda de ter de descer aos Inferno de tirar novamente a senha, de esperar que as chamem para a inscrição, de se inscreverem, de voltarem a esperar pela chamada...

publicado por pnf às 17:03